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Autoestima na aprendizagem: como corrigir sem desestimular

Autoestima infantil: o papel da escola e da família

28/09/2026

Ao receber uma atividade corrigida, a criança precisa compreender o que deve revisar sem interpretar o erro como prova de incapacidade. A maneira como professores e familiares comentam esse resultado influencia sua autoestima e a disposição para continuar tentando. Apontar uma dificuldade específica, explicar como trabalhar nela e reconhecer os avanços são atitudes que ajudam nesse processo.

Uma nota baixa ou um exercício incompleto não descrevem todas as capacidades do aluno. Quando o desempenho se torna o principal assunto das conversas sobre a escola, porém, a criança pode sentir que seu reconhecimento depende de acertar sempre. Isso pode aumentar o receio de perguntar, apresentar ideias ou realizar tarefas novas.

Fortalecer a confiança durante a aprendizagem exige manter objetivos claros e oferecer apoio para alcançá-los. Correções, limites e expectativas continuam necessários, mas precisam considerar o que o estudante já sabe e quais dificuldades ainda enfrenta.

 

A correção precisa indicar o que fazer

Comentários como “você nunca presta atenção” ou “é muito preguiçoso” atribuem à criança uma característica geral, sem esclarecer como melhorar a atividade. Uma orientação concreta identifica o problema: faltou responder a uma pergunta, conferir o cálculo ou reler o trecho antes de entregar. Carol Lyra, diretora geral do Colégio Anglo Sorocaba, de Sorocaba (SP), explica que a devolutiva deve separar o desempenho da percepção de valor pessoal: “A criança precisa saber o que ainda não compreendeu e qual será o próximo passo. Uma dificuldade em determinada atividade não deve ser apresentada como uma definição de quem ela é.”

Em uma tarefa de escrita, por exemplo, o professor pode mostrar que as ideias estão compreensíveis, mas precisam ser organizadas em outra sequência. O aluno recebe, assim, uma referência do que já conseguiu e uma orientação sobre o que revisar.

Também importa a forma de conduzir essa conversa. Ironias, exposição diante da turma e comentários depreciativos podem aumentar o constrangimento. Quando há oportunidade de tirar dúvidas e refazer a tarefa com orientação, a correção ajuda a retomar o conteúdo.

 

Reconhecer avanços sem criar comparações

A comparação com irmãos ou colegas pode fazer a criança avaliar sua capacidade apenas pelo desempenho dos outros. Perguntar por que um amigo já lê com facilidade, enquanto ela ainda precisa de ajuda, não esclarece sua dificuldade nem oferece uma estratégia para superá-la.

Uma referência útil é observar produções anteriores do próprio aluno. Comparar dois textos escritos em momentos diferentes permite identificar melhorias na organização das frases, na clareza das informações ou no uso da pontuação. Na leitura, é possível perceber palavras que antes exigiam apoio e passaram a ser reconhecidas com autonomia.

O reconhecimento deve corresponder ao que aconteceu. Em vez de repetir que a criança é brilhante ou que tudo está perfeito, o adulto pode destacar que ela revisou a resposta, usou uma estratégia aprendida ou conseguiu concluir uma etapa antes difícil.

Valorizar o esforço também exige atenção ao resultado das tentativas. Se o estudante se dedica, mas continua sem compreender, precisa de outra explicação ou de um recurso diferente. Insistir apenas para que tente novamente pode aumentar a frustração quando falta orientação.

 

Participar e assumir responsabilidades

A autoestima também se relaciona com a percepção de que a criança consegue contribuir. Organizar os materiais, escolher como apresentar uma pesquisa ou assumir uma tarefa em um trabalho coletivo são oportunidades para exercitar decisões e reconhecer capacidades.

Essas responsabilidades devem ser compatíveis com a idade e acompanhadas pelos adultos. Fazer toda a tarefa pelo aluno retira sua participação; deixá-lo sem ajuda diante de uma dificuldade que ainda não consegue resolver também compromete a experiência.

“Oferecer apoio não exige assumir todas as decisões. O adulto pode acompanhar, esclarecer uma dúvida e permitir que a criança execute a parte que já consegue fazer”, observa Carol Lyra.

As atividades coletivas precisam incluir diferentes formas de participação. Um estudante pode contribuir com a organização das informações, outro com desenhos e outro com a apresentação oral. Essa diversidade permite reconhecer habilidades sem dispensar o acompanhamento das áreas em que cada um necessita avançar.

A convivência merece o mesmo cuidado. Apelidos ofensivos, ridicularização de respostas e exclusão de colegas exigem intervenção dos educadores. O aluno precisa encontrar condições para participar sem receio de ser humilhado.

 

Como conversar sobre a escola em casa

As conversas familiares podem incluir o que a criança aprendeu, qual atividade despertou interesse e em que momento precisou de ajuda. Isso amplia o acompanhamento para situações que nem sempre aparecem no boletim.

Diante de uma frustração, vale ouvir antes de corrigir ou apresentar uma solução. Se o aluno diz que não consegue aprender uma matéria, o responsável pode perguntar qual parte da atividade foi difícil e verificar o que ele entendeu. Negar imediatamente o sentimento ou cobrar um resultado melhor tende a deixar a dificuldade sem esclarecimento.

O afeto e a atenção dos adultos não devem depender das notas. É possível estabelecer horário de estudo, cobrar a realização das tarefas e discutir resultados mantendo uma relação respeitosa, inclusive quando o desempenho fica abaixo do esperado.

Se a criança passa a esconder atividades, evita participar ou se descreve repetidamente como incapaz, família e escola precisam conversar sobre os episódios. Registrar quando essas falas aparecem, como os adultos respondem e quais apoios favorecem a participação ajuda a definir ajustes e acompanhar seus efeitos na rotina.

Para saber mais sobre o assunto, visite: https://institutopensi.org.br/sete-praticas-essenciais-para-fortalecer-a-autoestima-infantil

e https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/escolas/autoestima-infantil-5-dicas-de-como-desenvolver-criancas-seguras

 


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