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03/08/2026
O uso de tela faz parte da rotina escolar, familiar e social de crianças e adolescentes. Celulares, computadores e tablets são usados para estudar, pesquisar, conversar e se divertir. O problema surge quando essa presença se torna contínua, interfere na concentração e no sono ou substitui atividades importantes, como convivência presencial, leitura, movimento e descanso.
Nesse cenário, a escola pode ajudar os estudantes a compreender como a tecnologia afeta a rotina e a desenvolver critérios para utilizá-la. Essa orientação não se limita a proibir aparelhos em determinados momentos. Ela inclui explicar por que os limites existem, identificar os efeitos do excesso e mostrar como diferentes usos produzem resultados distintos.
A definição de regras é uma das formas de reduzir interrupções e conflitos relacionados aos dispositivos. Quando alunos e famílias sabem em quais situações os aparelhos podem ser utilizados, as expectativas ficam mais claras e a aplicação dos limites tende a ser mais coerente.
As regras devem considerar a finalidade do uso. Uma pesquisa orientada pelo professor, por exemplo, é diferente da consulta constante a redes sociais durante uma atividade. A tecnologia pode apoiar o aprendizado, mas perde essa função quando notificações, mensagens e vídeos fragmentam a atenção.
“A regra funciona melhor quando o aluno percebe como o uso contínuo do celular interfere na concentração, na participação e na realização das atividades”, afirma Carol Lyra, diretora geral do Colégio Anglo Sorocaba, em Sorocaba (SP). Os estudantes precisam, ressalta Carol, compreender os motivos das orientações.
Essa explicação contribui para que o limite não seja interpretado apenas como punição. O estudante começa a relacionar o comportamento digital aos seus efeitos e pode desenvolver maior responsabilidade sobre as próprias escolhas.
Não existe um único número de horas capaz de definir, em todos os casos, quando o uso de tela se tornou excessivo. A idade, a finalidade, o tipo de conteúdo e o impacto sobre outras atividades precisam ser considerados.
O sinal de alerta aparece quando os dispositivos passam a comprometer o funcionamento cotidiano. Sono durante as aulas, dificuldade para concluir tarefas, ansiedade para verificar mensagens, irritação diante da retirada do celular e perda de interesse por atividades presenciais podem indicar uma relação desequilibrada com a tecnologia.
A escola ocupa uma posição importante porque observa o aluno em situações que exigem atenção, convivência e organização. Alterações no desempenho, cansaço frequente e dificuldade de permanecer em uma tarefa podem ajudar educadores e famílias a investigar o que está acontecendo.
Esses comportamentos não devem ser atribuídos automaticamente às telas. Eles também podem estar ligados a dificuldades de aprendizagem, questões emocionais ou mudanças na rotina familiar. Por isso, a avaliação precisa considerar o conjunto de sinais e evitar conclusões precipitadas.
Orientar o uso consciente da tecnologia inclui trabalhar temas como privacidade, exposição de dados, confiabilidade das informações e respeito nas interações digitais. Também exige discutir como o uso prolongado dos aparelhos pode interferir no corpo, no sono e na capacidade de concentração.
Vídeos curtos, notificações e mudanças rápidas de conteúdo estimulam trocas constantes de foco. Quando essa dinâmica domina o cotidiano, atividades que exigem continuidade podem se tornar mais cansativas. Ler um texto extenso, acompanhar uma explicação ou resolver um problema requer atenção por um período maior e tolerância a tarefas sem recompensa imediata.
A escola pode explicar essas diferenças e orientar os alunos a reduzir interrupções durante o estudo. Guardar o celular, desativar notificações e concluir uma tarefa antes de consultar mensagens são medidas simples que ajudam a preservar o foco.
“O estudante precisa aprender a reconhecer quando a tecnologia está ajudando e quando está prejudicando uma atividade”, observa Carol Lyra. “Essa percepção favorece decisões mais conscientes dentro e fora da escola.”
A discussão também deve incluir o período noturno. O uso de celular, jogos e vídeos antes de dormir pode prolongar o tempo de vigília e manter o cérebro em estado de alerta. No dia seguinte, o aluno pode apresentar sonolência, irritação, dificuldade de memória e menor disposição para participar das aulas.
A maior parte dos hábitos digitais é formada em casa. Por esse motivo, a orientação escolar tende a produzir melhores resultados quando encontra alguma continuidade na rotina familiar. Se a escola limita o uso durante as atividades, mas o adolescente permanece conectado até a madrugada, os efeitos sobre o aprendizado podem continuar.
A família pode estabelecer momentos sem aparelhos, especialmente durante refeições, estudos e no período que antecede o sono. Também precisa observar o próprio comportamento, pois crianças e adolescentes percebem quando os adultos exigem limites que não seguem.
O diálogo funciona melhor quando se concentra nos efeitos concretos. Em vez de tratar a tecnologia como inimiga, os responsáveis podem mostrar como determinadas escolhas interferem no descanso, no humor, nos compromissos e na convivência. A retirada repentina do aparelho, sem explicação ou rotina alternativa, tende a aumentar conflitos.
Atividades presenciais também precisam ocupar espaço real no cotidiano. Esporte, leitura, encontros, brincadeiras, conversas e períodos de descanso ajudam a evitar que a tela se torne a principal resposta para o tédio, a espera ou a frustração.
Algumas situações exigem acompanhamento mais atento. Queda acentuada no rendimento, isolamento, uso escondido durante a madrugada, alterações persistentes de humor e reações desproporcionais à interrupção dos dispositivos indicam a necessidade de uma conversa entre família e escola.
O objetivo desse contato deve ser compreender o que mudou, em quais horários o problema ocorre e quais áreas da rotina foram afetadas. A partir dessa análise, os adultos podem ajustar regras, acompanhar o uso e observar se há melhora no sono, na participação e no desempenho.
Uma relação consciente com a tecnologia se desenvolve por meio de orientações consistentes, exemplos dos adultos e limites compatíveis com a idade. A escola contribui ao oferecer informação e observar os impactos no aprendizado, enquanto a família organiza os hábitos cotidianos e acompanha os sinais de desequilíbrio.
Para saber mais sobre o assunto, visite: https://www.iff.fiocruz.br/index.php/pt/?catid=8&id=35%3Auso-das-telas&view=article
https://fiocruz.br/noticia/2023/05/iff-fiocruz-divulga-pesquisa-sobre-atividade-fisica-tempo-de-tela-e-sono-durante