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01/06/2026
A história infantil tem papel importante no desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da escuta, da memória e da convivência entre as crianças. Na escola, o contato regular com narrativas ajuda a ampliar vocabulário, organizar o pensamento, estimular a atenção e aproximar os alunos do universo da leitura desde os primeiros anos.
A literatura infantil aparece em diferentes momentos da rotina escolar, especialmente na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Pode estar presente na leitura em voz alta, na contação de histórias, no manuseio de livros, nas rodas de conversa, nas dramatizações e em atividades relacionadas a personagens, enredos e temas trabalhados em sala.
Esse contato não deve ser tratado apenas como recreação. Quando bem planejada, a história infantil contribui para aprendizagens cognitivas, linguísticas, sociais e emocionais. A criança acompanha sequências de acontecimentos, percebe relações de causa e consequência, identifica personagens, compreende conflitos e passa a expressar opiniões sobre o que ouviu.
Uma das contribuições mais evidentes da literatura infantil está no desenvolvimento da linguagem oral e escrita. Ao ouvir histórias, a criança entra em contato com palavras, expressões, estruturas de frases e formas de narrar que nem sempre aparecem nas conversas cotidianas.
Esse repertório favorece a ampliação do vocabulário e melhora a compreensão de textos. Antes mesmo de ler de forma autônoma, a criança passa a perceber que a escrita organiza ideias, registra acontecimentos e permite o acesso a diferentes informações e experiências.
A escuta também exige atenção. Para acompanhar uma narrativa, o aluno precisa lembrar o que aconteceu antes, identificar mudanças no enredo e compreender a relação entre ações dos personagens. Esse exercício ajuda na concentração e na organização do pensamento. “A escolha do livro, o modo de apresentar a narrativa e a conversa depois da leitura interferem diretamente no aproveitamento pedagógico da atividade”, explica Carol Lyra, diretora geral do Colégio Anglo Sorocaba, de Sorocaba (SP). Ela destaca que o trabalho com histórias precisa também considerar a faixa etária e o nível de compreensão das crianças.
A contação de histórias é uma prática frequente na escola porque permite maior interação entre educador e crianças. Diferentemente da leitura silenciosa ou individual, ela envolve voz, entonação, gestos, pausas, expressões faciais e, em alguns casos, recursos como fantoches, imagens, objetos ou dramatizações.
Esses elementos ajudam os alunos a acompanhar a narrativa e a compreender situações que ainda não dominam plenamente pela leitura. Também favorecem a participação, já que as crianças podem fazer comentários, antecipar acontecimentos, levantar hipóteses e relacionar a história com experiências conhecidas.
Depois da contação, as conversas orientadas ajudam a desenvolver oralidade, escuta dos colegas e argumentação. Perguntas sobre personagens, acontecimentos e escolhas feitas na narrativa permitem que os alunos expliquem o que entenderam, organizem ideias e respeitem diferentes interpretações.
Esse processo também contribui para a formação do leitor. Quando a criança associa o livro a uma experiência positiva, aumenta a chance de demonstrar interesse por novas leituras, procurar livros espontaneamente e avançar, aos poucos, da escuta para a leitura autônoma.
A história infantil também favorece o desenvolvimento da imaginação e do pensamento simbólico. Ao ouvir narrativas sobre animais, famílias, objetos, lugares, conflitos e soluções, a criança aprende a representar situações, compreender personagens e lidar com sentidos que não estão explícitos.
Esse recurso é importante para diferentes áreas do conhecimento. A alfabetização, por exemplo, exige que a criança entenda que letras representam sons e palavras representam ideias. A matemática também depende de símbolos para indicar quantidades, operações e relações. A literatura contribui para esse tipo de elaboração ao apresentar situações narrativas que exigem interpretação.
As histórias também podem apoiar o trabalho com convivência e valores. Narrativas que tratam de amizade, respeito, honestidade, medo, frustração, cooperação ou responsabilidade ajudam a criança a observar comportamentos e consequências dentro de uma situação ficcional. A discussão conduzida pelo professor permite trazer esses temas para a rotina sem impor respostas prontas.
Segundo Carol Lyra, esse trabalho precisa ser feito com equilíbrio e mediação adequada. “A história permite que a criança pense sobre atitudes, emoções e relações, mas a conversa precisa ser conduzida de forma concreta, com exemplos que façam sentido para a idade dela”, explica.
A seleção das obras é uma etapa importante do trabalho pedagógico. Livros para bebês e crianças pequenas costumam valorizar ritmo, repetição, imagens, sons e frases curtas. Na pré-escola, ganham espaço histórias com enredos mais definidos, personagens marcantes e situações que favorecem perguntas e comentários.
Nos primeiros anos do Ensino Fundamental, as crianças já podem acompanhar narrativas mais longas, histórias em capítulos, fábulas, contos populares, obras contemporâneas e textos que dialogam com temas trabalhados em outras áreas do currículo.
A diversidade de títulos também deve ser considerada. O acesso a contos clássicos, histórias brasileiras, narrativas de diferentes culturas, livros ilustrados, poesia, parlendas, fábulas e obras contemporâneas amplia o repertório cultural dos alunos. Esse contato ajuda a criança a reconhecer diferentes modos de viver, falar, pensar e resolver problemas.
A escola também pode aproximar literatura e currículo. Histórias sobre animais podem apoiar conteúdos de ciências. Narrativas que envolvem tempo, sequência, contagem ou medidas podem dialogar com matemática. Contos de diferentes povos contribuem para discussões sobre cultura, história e geografia. Essa integração precisa preservar o prazer da leitura e evitar que todo livro seja tratado apenas como pretexto para exercício.
A formação leitora não depende apenas da escola. A família também influencia a relação da criança com os livros. Ler em casa, contar histórias, conversar sobre personagens e permitir que a criança manuseie livros adequados à idade são atitudes simples que ajudam a criar familiaridade com a leitura.
Não é necessário transformar esse momento em atividade formal. A leitura antes de dormir, a visita a bibliotecas, a escolha conjunta de livros e o exemplo de adultos leitores contribuem para que a criança perceba a leitura como parte da rotina.
Quando escola e família valorizam a literatura infantil, a criança tem mais oportunidades de ouvir, contar, perguntar, imaginar e interpretar. Esse acompanhamento favorece o avanço da linguagem, da autonomia leitora e da participação nas atividades escolares. O resultado aparece no cotidiano, na forma como o aluno escuta, se comunica, compreende textos e se relaciona com diferentes narrativas.
Para saber mais sobre o assunto, visite https://www.culturagenial.com/historias-infantis-contos-para- criancas/ e https://escoladainteligencia.com.br/contacao-de-historias-na-educacao-infantil/