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Conflitos na escola e o papel da empatia na construção de uma convivência melhor

Conflitos escolares: como transformar atritos em aprendizado

27/02/2026

Conflitos fazem parte da rotina escolar — e isso não é necessariamente um problema. O choque entre interesses, percepções e necessidades acontece em qualquer espaço de convivência intensa, e a escola não é exceção. A diferença está no que se faz com esses momentos: ignorá-los, puni-los automaticamente ou transformá-los em oportunidades reais de aprendizado. Quando a empatia entra em cena, a segunda opção deixa de ser a única saída.

A empatia — a capacidade de enxergar uma situação pela perspectiva do outro — não é um dom inato de poucos. É uma habilidade que se desenvolve, e a escola é um dos principais espaços para isso. Crianças e adolescentes que aprendem a reconhecer os sentimentos alheios tendem a reagir com menos impulsividade, a ouvir antes de responder e a buscar soluções que considerem mais de um lado da questão.

O conflito como conteúdo pedagógico

Tratar episódios de atrito como simples problemas disciplinares é uma abordagem limitada. Quando a escola escolhe mediá-los com critério, transforma a convivência em conteúdo pedagógico. O aluno aprende a identificar o problema, a regular a própria emoção e a dialogar — habilidades que levará para a vida adulta, para o trabalho e para as relações pessoais.

Um ambiente com regras claras e previsíveis reduz a frequência dos conflitos. Quando as expectativas são conhecidas e cumpridas por todos — inclusive pelos adultos —, o espaço da sala de aula se torna mais seguro. Alunos tímidos se sentem encorajados a se expressar. Os mais impulsivos encontram caminhos para controlar a reação. A turma inteira percebe que há um procedimento e que todos serão tratados com justiça.

O professor como mediador

O professor não atua como juiz que define quem tem razão, mas como mediador que conduz o diálogo e cuida do clima emocional da sala. Em momentos de tensão, a primeira tarefa é estabilizar o ambiente: falar com voz calma, propor uma pausa, separar os envolvidos e definir um momento adequado para a conversa estruturada.

Durante a mediação, cada aluno relata o que aconteceu sem interrupções. Perguntas curtas e abertas ajudam: o que você viu? O que sentiu? O que precisava naquele momento? Em seguida, quem ouviu repete com as próprias palavras para confirmar que entendeu. Esse exercício simples reduz a tensão e corrige ruídos de interpretação. Com o problema identificado, o grupo busca uma solução concreta — e um compromisso para as próximas interações.

"A empatia não significa aceitar tudo. Significa olhar para o conflito com mais cuidado, entender o que gerou aquela reação e agir com mais justiça", afirma Carol Lyra, diretora geral do Colégio Anglo Sorocaba. "Quando isso é praticado com consistência, a escola inteira muda de tom."

Acolher sem abrir mão dos limites

Um ponto essencial: acolher não é o mesmo que tolerar. Agressão física, insultos, humilhação e discriminação têm consequências previstas — e precisam tê-las. O equilíbrio entre empatia e responsabilização é o que constrói segurança psicológica. Os alunos aprendem que podem se expressar, mas que também respondem pelas próprias escolhas.

Uma frase simples do professor já modela esse equilíbrio: "Entendo que você ficou irritado quando seu material foi pego sem permissão" valida a emoção sem validar a agressão. Quando os adultos demonstram isso na prática, os alunos tendem a reproduzir o gesto.

"O aluno que aprende a pausar, respirar e nomear o que sente antes de agir está desenvolvendo uma das competências mais importantes para a vida", complementa Carol Lyra.

Mediação entre colegas

Alguns conflitos entre alunos se resolvem com mais facilidade quando outros estudantes participam do processo. Em programas de mediação entre pares, um grupo recebe formação básica em escuta ativa, linguagem respeitosa e etapas de negociação. Eles não decidem punições — ajudam a conduzir o diálogo em situações de atrito mais leve.

O resultado costuma ser positivo: colegas tendem a falar com mais abertura e a aceitar sugestões de quem compartilha o mesmo espaço. Mas o programa exige critério. A escola define quem pode mediar, quais casos são adequados e como acionar um adulto quando a situação exige autoridade ou envolve risco.

A família como aliada

A participação das famílias é parte decisiva desse processo. Em casa, perguntar como o filho resolveu uma divergência naquele dia — e elogiar o esforço quando ele relata uma boa escolha — reforça o aprendizado. Cuidar do básico também conta: sono suficiente, alimentação adequada e rotina organizada. Crianças cansadas perdem o filtro com mais facilidade e reagem de forma mais impulsiva.

Quando percebem irritabilidade persistente, retraimento, queda brusca no rendimento ou queixas frequentes, os pais fazem bem em comunicar a escola. A intervenção precoce reduz a duração do problema e amplia as chances de uma resolução eficaz. A escola, por sua vez, ganha quando mantém canais de comunicação acessíveis e responde com rapidez a dúvidas e relatos. A parceria entre família e instituição não elimina os conflitos — mas torna a resposta a eles muito mais consistente.

Para saber mais sobre conflitos no aprendizado, visite https://www.editoradobrasil.com.br/resolucao-de-conflitos-melhores-estrategias-em-sala-de-aula/ e https://online.pucrs.br/blog/gerenciamento-conflitos-sala-aula


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