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25/02/2026
Perguntas como "por que o céu é azul?" ou "de onde vêm os bebês?" costumam pegar os pais de surpresa — e a reação a essas perguntas importa mais do que a maioria imagina. A curiosidade infantil é um motor poderoso do aprendizado, e pesquisas indicam que ela pode ser tão determinante para o desempenho escolar quanto a inteligência. O ambiente familiar é o primeiro espaço onde essa curiosidade é acolhida ou desestimulada.
Crianças observam o mundo com olhos investigativos desde cedo. Elas tocam, testam, quebram e experimentam para entender como as coisas funcionam. Quando os adultos ao redor respondem a esse comportamento com paciência e encorajamento, a criança aprende que perguntar é valioso. Quando encontram impaciência ou respostas cortantes, aprendem a calar.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia identificaram que a curiosidade coloca o cérebro em um estado especialmente receptivo à aprendizagem. Usando ressonância magnética, observaram que, ao se sentir intrigado por uma pergunta, o cérebro ativa tanto o hipocampo — área responsável pela formação de memórias — quanto o circuito de recompensa, que libera dopamina, a mesma substância associada ao prazer.
Na prática, isso significa que uma criança curiosa não aprende apenas o conteúdo que a intrigou: ela fica mais preparada para absorver qualquer informação apresentada naquele momento. A curiosidade não é só uma porta de entrada para um assunto específico; ela abre o cérebro como um todo.
"A família é o primeiro laboratório de curiosidade da criança", afirma Carol Lyra, diretora geral do Colégio Anglo Sorocaba. "Quando os pais embarcam junto nas perguntas dos filhos, sem pressa por respostas prontas, estão ensinando que descobrir é tão importante quanto saber."
Famílias que pesquisam junto com as crianças, que consultam livros, vídeos educativos e fontes confiáveis na internet, criam um modelo de comportamento que vai muito além da resposta imediata. A criança aprende que ninguém precisa saber tudo — e que buscar conhecimento é uma prática natural e prazerosa.
Nem sempre os pais têm as respostas. E não precisam ter. O mais valioso é a disposição de investigar junto: abrir uma enciclopédia, fazer uma pesquisa, assistir a um documentário. Esse processo compartilhado fortalece o vínculo familiar e mostra, na prática, que aprender é algo que se faz ao longo da vida inteira — não só na escola.
Algumas práticas cotidianas ajudam a manter a curiosidade ativa sem exigir grandes preparativos. Quando a escola propõe atividades como a "pergunta da semana" — uma questão investigativa para ser respondida com apoio da família —, a participação dos pais enriquece muito o resultado. A criança chega à escola com hipóteses, informações novas, e frequentemente com mais perguntas do que respostas.
Criar o hábito de conversar sobre o dia, fazer perguntas sobre o que a criança viu, ouviu ou pensou, valoriza o olhar investigativo dela. Uma visita a um museu, uma caminhada num parque com atenção aos insetos e plantas, ou mesmo uma receita de cozinha que envolva medir e misturar ingredientes podem ser experiências ricamente educativas quando conduzidas com curiosidade.
"Quando os pais mostram que também têm dúvidas e que aprender é algo contínuo, tiram da criança a pressão de precisar saber tudo — e isso a libera para perguntar mais", acrescenta Carol Lyra.
A escola tem papel central no estímulo ao pensamento investigativo, mas seu trabalho é amplificado quando a família está envolvida. O modelo pedagógico que valoriza perguntas, experimentos e investigações — em linha com o que propõe a BNCC — funciona melhor quando os alunos chegam em casa e encontram adultos dispostos a continuar o assunto.
Teorias consagradas da educação reforçam essa visão. Para Vygotsky, o conhecimento se desenvolve na troca com outras pessoas, e o ambiente familiar é o primeiro e mais duradouro desses espaços de troca. Piaget, por sua vez, mostrou que nenhum conhecimento novo se instala sem que haja algo anterior com o qual o novo possa se conectar — e são as experiências em casa que constroem boa parte dessas bases.
Crianças que crescem em ambientes onde as perguntas são bem-vindas chegam à escola mais preparadas para se engajar com conteúdos desafiadores. E alunos engajados aprendem com mais profundidade e retenção — não porque são mais inteligentes, mas porque o cérebro curioso simplesmente funciona melhor.
Conforme os filhos crescem, os interesses mudam e a dinâmica familiar se transforma. Manter a curiosidade viva na adolescência exige adaptações, mas o princípio continua o mesmo: tratar as perguntas com seriedade, conectar o conhecimento à vida real e evitar respostas que encerrem o assunto antes que ele possa se expandir.
Pesquisadores ainda estudam por que algumas pessoas mantêm a curiosidade mais intensa ao longo da vida. O que já se sabe é que o ambiente nos primeiros anos tem peso significativo nesse desenvolvimento. Crianças que aprenderam cedo que perguntar vale a pena tendem a carregar esse hábito por muito tempo.
A curiosidade que move as grandes descobertas científicas começa, na maioria dos casos, numa pergunta simples feita em casa — e numa resposta que não encerrou o assunto, mas abriu uma porta.
Para saber mais sobre curiosidade, visite https://porvir.org/por-curiosidade-melhora-aprendizagem/ e https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/biologia/importancia-da-pratica-cientifica-para-a-construcao-do-conhecimento-no-ensino-de-ciencias.htm