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Como o feedback acelera o crescimento dos estudantes na sala de aula

Feedback na escola: como a devolutiva acelera a aprendizagem

06/02/2026

Quanto mais cedo a devolutiva chega após a realização de uma tarefa, maior a chance de o estudante conectar a orientação ao que acabou de fazer. Esse princípio básico do feedback explica por que tantos pesquisadores de educação o consideram uma das estratégias mais decisivas no processo de ensino-aprendizagem. Não se trata, porém, de comentários genéricos no final de uma atividade. Feedback eficaz é claro, específico e vinculado aos critérios que foram definidos para aquela tarefa.

Devolutivas que chegam muito depois, sem possibilidade de reescrita ou ajuste, perdem grande parte do seu valor pedagógico. O estudante já não se lembra das escolhas que fez, das dificuldades que enfrentou ou dos raciocínios que tentou. Em produções mais extensas, como textos ou projetos, uma estratégia que funciona bem é combinar critérios discutidos antes da tarefa, comentários durante o processo e uma devolutiva mais completa ao final. Assim, o aluno recebe orientação em diferentes pontos da trajetória, sem ter que esperar até o fim para saber onde errou ou como melhorar.

Professores frequentemente apontam a falta de tempo como principal obstáculo para dar devolutivas detalhadas. Uma saída prática é focar comentários no aspecto mais relevante de cada atividade, alternando esse foco ao longo do semestre. Dessa forma, ao final de um período, o estudante terá recebido orientações sobre diferentes dimensões do seu trabalho, sem que o professor precise comentar tudo de uma vez.


Feedback entre colegas e autoavaliação

Trocas estruturadas entre estudantes também contribuem para esse processo. Quando há critérios claros e um ambiente de respeito, os alunos aprendem a observar soluções diferentes, a refinar seus próprios argumentos e a ampliar seu repertório de estratégias. A autoavaliação, por sua vez, ensina o estudante a identificar evidências do próprio trabalho, a reconhecer limites e a planejar próximos passos sem depender exclusivamente da devolutiva do professor.

Carol Lyra, diretora geral do Colégio Anglo Sorocaba, destaca que o feedback cumpre um papel central quando transforma o erro em oportunidade. "Não é sobre julgar o aluno, mas sobre criar condições para que ele avance com clareza", afirma Carol.


O clima da sala e a linguagem que importa

A forma como a devolutiva é comunicada interfere diretamente no que o estudante escuta e como ele reage. Comentários que reconhecem o esforço, contextualizam as dificuldades e apresentam alternativas concretas mobilizam o aluno para tentar de novo. O contrário também vale: devolutivas vagas, irônicas ou focadas na pessoa — e não no trabalho — tendem a gerar defensividade e desengajamento.

Preservar a privacidade em questões sensíveis e manter a crítica no campo da atividade, nunca da pessoa, são condições básicas para que o feedback funcione. Esse cuidado com a linguagem não significa suavizar os padrões. Exigência e acolhimento podem coexistir, desde que o estudante perceba que está sendo acompanhado, não julgado.


Motivação, notas e o que realmente importa

Estudantes que percebem avanço concreto — mesmo que incremental — tendem a persistir mais. Esse ciclo de esforço seguido de progresso visível alimenta a chamada motivação intrínseca, que a literatura educacional associa a maior persistência e a estratégias de estudo mais eficazes. O feedback de qualidade contribui justamente para essa percepção, ao destacar o que foi bem executado e ao indicar caminhos claros para melhorar.

Sistemas educacionais exigem notas, e elas cumprem uma função comunicativa importante. O risco aparece quando o número se torna o único horizonte do estudante. Quando há espaço para devolutivas ao longo do caminho, com critérios transparentes e possibilidade de reescrita, o foco da sala tende a se manter na aprendizagem, mesmo com nota no final. Instituições que experimentaram ampliar o feedback formativo observaram menor ansiedade por pontuações e maior colaboração entre colegas.


O que o professor faz antes, durante e depois

A qualidade do feedback tem raízes no planejamento. Antes da atividade, explicitar objetivos em linguagem simples e compartilhar critérios com exemplos que mostrem níveis diferentes de desempenho prepara o estudante para saber o que será observado. Durante a execução, o professor observa estratégias, faz perguntas que estimulam o pensamento e colhe evidências que serão usadas na devolutiva posterior.

Depois do feedback, o espaço mais importante é o da reescrita. Reservar momentos para que o aluno aplique as orientações, revise e tente de novo fecha o ciclo de melhoria. Carol Lyra reforça esse ponto: "O feedback só funciona de verdade quando há tempo e espaço para agir a partir dele."

O estudante que consegue explicar o que aprendeu, o que ainda precisa melhorar e como pretende fazer isso já internalizou o que a devolutiva propõe. Esse encadeamento — critérios claros, tentativa, feedback pontual, reescrita e reflexão — transforma a sala de aula em um ambiente de ajuste constante, onde a aprendizagem se acumula de forma real e perceptível.

 

Para saber mais sobre feedback, visite https://cirandadelivro.com.br/a-importancia-do-feedback-constante-para-o-desenvolvimento-dos-alunos/ e https://g1.globo.com/educacao/noticia/2020/01/06/o-que-motiva-as-criancas-a-aprenderem-e-o-que-nao-funciona.ghtml

 


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