04/08/2025
Organizar a lancheira, ajudar na lição de casa, acompanhar a adaptação escolar, consolar em um momento difícil, ensinar a atravessar a rua. Esses gestos simples, quando feitos com regularidade, mostram o quanto a presença do pai pode ser determinante na formação emocional e social da criança. A paternidade ativa não se resume a eventos pontuais; ela se manifesta nas rotinas compartilhadas e na participação constante e intencional.
Durante muito tempo, a imagem do pai esteve vinculada exclusivamente à ideia de provedor. Esperava-se dele o sustento financeiro, enquanto à mãe cabia o cuidado direto dos filhos. Esse modelo, embora ainda presente em parte da sociedade, vem sendo questionado à medida que se compreende a importância do envolvimento emocional do pai desde os primeiros anos de vida da criança.
Estudos da área da psicologia e da pedagogia indicam que a presença afetiva e participativa do pai contribui para o desenvolvimento da autonomia, da segurança e da autoestima infantil. Crianças que crescem com pais ativos tendem a estabelecer relações mais saudáveis, se comunicam melhor e demonstram maior estabilidade emocional em diferentes fases da vida.
“A participação dos pais no cotidiano dos filhos não apenas fortalece o vínculo familiar, como também amplia a percepção da criança sobre acolhimento e respeito”, explica Carol Lyra, diretora pedagógica do Colégio Anglo Sorocaba. Esse envolvimento exige tempo e disposição para construir uma relação baseada no diálogo e na presença de verdade. Não se trata apenas de “ajudar”, mas de assumir o papel de cuidador com responsabilidade. A diferença entre um pai ativo e um pai ausente não está em grandes atitudes, mas na frequência com que se faz presente no cotidiano do filho.
Brincar junto, acompanhar o rendimento escolar, comparecer às reuniões, fazer parte das decisões da rotina da criança – tudo isso conta como expressão concreta de afeto. O que transforma a paternidade em um laço significativo é a escuta atenta, a resposta sensível e o respeito ao tempo e às necessidades da criança.
Outro ponto relevante é que a paternidade ativa contribui para a desconstrução de estereótipos sobre masculinidade. O modelo tradicional que associa ser homem a força, controle e distanciamento emocional vem perdendo espaço para uma visão mais ampla, que valoriza o cuidado, a empatia e a vulnerabilidade. Quando o pai demonstra afeto, reconhece seus próprios limites e participa da vida do filho com disponibilidade emocional, ele transmite à criança que o afeto não tem gênero.
Esse exemplo é especialmente importante para meninos, que muitas vezes são ensinados desde cedo a reprimir emoções. Crescer com um pai que cuida e se envolve de maneira ativa amplia o repertório emocional da criança e a prepara para relações mais equilibradas no futuro.
Apesar dos avanços, muitos pais ainda enfrentam desafios para exercer esse novo papel. Entre os obstáculos mais comuns estão a carga excessiva de trabalho, a ausência de políticas públicas que estimulem a presença paterna (como a ampliação da licença-paternidade), e a falta de espaços sociais que acolham e incentivem a participação dos homens na educação dos filhos.
A estrutura do mercado de trabalho, por exemplo, ainda dificulta que pais tenham flexibilidade para conciliar as demandas profissionais com o acompanhamento dos filhos. Além disso, há um imaginário coletivo que coloca o pai como “ajudante” e não como responsável direto pelo cuidado, o que perpetua uma divisão desigual dentro das famílias.
Políticas públicas mais igualitárias, campanhas de valorização da presença paterna e a criação de ambientes escolares que estimulem a participação ativa dos pais são estratégias fundamentais para consolidar uma nova cultura de paternidade. Isso inclui, por exemplo, convites para reuniões, rodas de conversa e eventos pedagógicos que incluam os pais como protagonistas na educação.
É importante lembrar que a paternidade ativa não está condicionada ao modelo familiar tradicional. Mesmo em casos de separação, o vínculo afetivo entre pai e filho pode e deve ser preservado. O essencial é que o pai esteja presente, mantenha a comunicação e participe das decisões relativas à vida da criança. Presença, nesse contexto, é mais do que convivência física – é escuta, cuidado e envolvimento afetivo.
Muitos homens relatam que, ao se envolverem mais diretamente na criação dos filhos, passaram a compreender melhor seus próprios sentimentos e a enxergar o cuidado como um exercício de crescimento pessoal. A paternidade ativa transforma também a vida do pai, oferecendo a ele a chance de desenvolver empatia, paciência e sentido de propósito.
Essa mudança de postura contribui, no longo prazo, para formar famílias mais equilibradas e crianças mais confiantes. A figura paterna deixa de ser distante e passa a ser referência real de afeto e proteção. Com isso, amplia-se a rede de apoio dentro de casa, o que beneficia não só a criança, mas todos os membros da família.
Perguntar como foi o dia, preparar uma refeição juntos, acompanhar um trabalho escolar, consolar em um momento difícil. São ações simples que demonstram interesse e cuidado, e que ajudam a criar uma memória afetiva sólida e acolhedora.
Cada vez mais escolas têm compreendido a importância de envolver os pais em seus projetos pedagógicos. Não se trata apenas de reforçar conteúdos, mas de valorizar a experiência familiar como um espaço de aprendizagem contínua. Quando o pai participa do cotidiano escolar, a criança sente que sua educação é uma prioridade compartilhada.
Isso não significa que o pai precise ser perfeito. O mais importante é estar disponível, aprender com os erros e construir uma relação baseada no respeito mútuo. Ao participar ativamente da educação dos filhos, os pais contribuem para formar cidadãos mais empáticos, conscientes e preparados para conviver em sociedade.
O movimento por uma paternidade mais ativa é um processo coletivo, que envolve mudanças culturais, institucionais e individuais. Mas ele começa com uma escolha simples: estar presente. O tempo dedicado ao filho, a escuta oferecida, os cuidados compartilhados – tudo isso molda o modo como a criança se vê e compreende o mundo ao seu redor.
Esse vínculo construído com paciência e afeto não apenas prepara a criança para os desafios da vida, mas também ensina que amar é, acima de tudo, cuidar. E isso vale para todos os dias – não apenas para as datas comemorativas. Ser pai é assumir uma responsabilidade que vai além do papel social: é fazer parte ativamente da construção emocional, ética e afetiva de outro ser humano.
Para saber mais sobre paternidade ativa, visite https://www.meer.com/pt/80720-a-importancia-da-paternidade-ativa-na-infancia